Monumentos do Mundo Antigo e suas dificuldades de Conservação e Restauro

-Introdução

Esse trabalho tem como objetivo fazer uma análise de monumentos do Mundo Antigo, avaliando como eles adquiriram diferentes funções ao longo da sua história e as dificuldades na sua conservação e restauração. Mais do que isso, se propõe a pensar como a conservação desses monumentos é fundamental para a formação cultural das futuras gerações. Nesse trabalho, para realizarmos um estudo mais aprofundado, analisaremos dois monumentos: o Coliseu e o Partenon. Ambos ícones da Antiguidade, são referências quando falamos de Império Romano e Grécia, respectivamente.

 

Coliseu através dos séculos

O Coliseu teve sua construção iniciada em 72 D.C no período do império conhecido como Dinastia dos Flávios e foi inaugurado pelo imperador Tito em 81 D.C. O local escolhido foi o antigo lago da Domus Aurea de Nero, residência do imperador construída após o incêndio de Roma[1]. Originalmente era chamado de Anfiteatro Flaviano, mas se tornou conhecido como Coliseu a partir da Idade Média, devido à presença da estátua do Colossus Neronis (Colosso de Nero) nas proximidades.

Originalmente o Coliseu foi construído em mármore, tufo, ladrilho e pedra, porém, todo o mármore foi saqueado durante a Idade Média. As fundações são de concreto. Estudos recentes mostram que o concreto romano era formado por uma mistura de cal e cinzas vulcânicas, o que o torna mais resistente às intempéries.

Inicialmente, o Coliseu era usado em lutas de gladiadores, costume romano que data do século II A.C , mas, com a proibição destes eventos pelo imperador Honório em 404 D.C ele passou a ser usado, entre outras coisas para espetáculos envolvendo animais. Após a queda do Império Romano do Ocidente, o Coliseu foi utilizado como cemitério e como pedreira, onde trabalhadores retiravam materiais para outras construções, prática usual em Roma, que só foi proibida em 1462 pelo Papa pio II com um decreto que proibia a retirada de partes de monumentos antigos e a reutilização das mesmas em novos monumentos.

Além das constantes depredações e do desgaste natural do tempo, o Coliseu também sofreu com inúmeros terremotos e foi após um deles, em 1806, que tijolos de alvenaria diferentes do material original foram adicionados à estrutura. A elevação do seu status para local sagrado ocorreu em 1675, em memória aos mártires cristãos que morreram na arena. Atualmente, o Coliseu é uma das atrações turísticas mais visitadas na cidade de Roma e um símbolo do antigo império.

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– Reconstrução digital da fachada original do coliseu

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– Coliseu sendo restaurado em 2014

[1] (64 D.C-Dinastia Julio Claudiana)

O Partenon e sua história

O Partenon, templo da deusa Atenas, foi construído em 447 A.C sob o comando de Péricles e a sua estrutura é toda feita de mármore branco. O Partenon manteve sua estrutura intacta até o século V, quando foi transformado em Igreja Cristã, sendo iniciado seu processo de depredação, com a retirada de colunas e de imagens na sua fachada. Com a tomada da Grécia pelo Império Turco Otomano, o Partenon passou a ser utilizado como fortificação e, na guerra contra os venezianos (1687), sofreu seu maior dano. Uma explosão resultou na queda das colunas do lado sul e da queda do telhado. Logo em seguida a construção foi abandonada. Em 1801 o embaixador britânico Lord Elgin, tentando “salvar” os restos do Partenon, vendeu inúmeras peças e estátuas ao Museu britânico, que ainda as conservas. No século XX, o governo grego iniciou diversos projetos para restaurar o Partenon, que mais tarde recebeu recursos da União Europeia.

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-Estátuas retiradas do Partenon no século XIX e vendidas ao British Museum

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-Partenon e as estruturas necessárias as obras de restauração iniciadas no século XX

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– Maquete da Acrópole

Mudanças na forma de se fazer e pensar a restauração

A atividade de restauração teve suas origens nos séculos XVIII e XIX. Antes destas datas os monumentos sofreram diversos processos invasivos, mas que não podem ser chamados de restauração, por não apresentarem semelhanças com a restauração da forma como a entendemos hoje.

Muito do desenvolvimento do interesse pela restauração dos monumentos antigos no século XVIII se deve ao movimento neoclássico que reacendeu o interesse pelas civilizações antigas. Nesse momento também ocorreu a separação da atividade do restaurador da do pintor. Ainda assim, a restauração era uma atividade empírica.

Das principais correntes de pensamento sobre restauro, grande parte foi consolidada no século XIX, quando o arquiteto Camillo Boito se torna um grande defensor da conservação preventiva e da utilização da técnica de restauro apenas quando extremamente necessário. As normas estabelecidas por Boito passaram a valer na Itália e depois em toda a Europa, entre elas: (a) deverão limitar-se as intervenções ao mínimo possível, mas, caso se executem, têm de ser bem identificadas; (b) deverá ser visível a diferença entre as partes antigas e as novas; (c) deverá ser visível a diferença entre os materiais modernos e os originais aplicados nas diversas obras; (d) as partes que foram eliminadas deverão ser expostas num lugar próximo ao monumento restaurado; (e) deverá ser feito o registo da intervenção acompanhada de fotografias das diversas fases dos trabalhos, colocadas no próprio monumento ou num lugar público próximo; (f) deve-se assinalar ou gravar a data de execução das intervenções no edifício numa epígrafe.

– A Unesco e a Carta de Veneza

Organização da Nações Unidas para a Educação, a ciência e a cultura (Unesco) foi criada em 1945 e entre outras funções é responsável por salvaguardar o patrimônio cultural mundial. Na Unesco atua o Comitê do Patrimônio Mundial que determina os locais que devem ser listados como patrimônio mundial. Além disso, a Unesco monitora os patrimônios mundiais, para averiguar o estado de conservação dos mesmos.

Após a segunda guerra existe uma necessidade ainda maior de se debater e se pensar a conservação e restauração dos monumentos. Mas apenas em 1964 foi elaborada a Carta de Veneza, aceita internacionalmente.

A Carta de Veneza foi elaborada em 1964, sucedendo as cartas de Atenas, no segundo congresso de arquitetos e técnicos dos monumentos históricos. Esse documento entende que os monumentos de um povo perduram como testemunho de sua civilização e que é dever das gerações do presente os preservar e transmiti-los as gerações futuras da forma mais autentica possível. Portanto, é necessário um tratado internacional que estipule os princípios da conservação e restauração desses monumentos, mas que também respeite as particularidades de cada nação. Nessa carta ficam estipuladas, dentre outras coisas, que a conservação e a restauração de um monumento visam a salvaguardar tanto a obra de arte quanto o testemunho histórico(terceiro artigo), o monumento é inseparável da história de que é testemunho e do meio em que se encontra por isso o monumento, ou parte dele, não pode ser descolado exceto se for para sua salvaguarda (sétimo artigo) e a restauração só deve ser feita em caráter excepcional( nono artigo).

– O Coliseu e o Partenon atualmente: a luta contra o desgaste natural e a necessidade de investimento

Sem dúvidas agora que são reconhecidos como patrimônios da humanidade o Coliseu e o Partenon tem como maiores inimigos o desgaste natural. Em 2014 a Acrópole, onde se localiza o Partenon, começou a apresentar problemas devido à instabilidade do terreno e foram necessárias obras de contenção de emergência. As obras de contenção foram somadas as obras constantes que o monumento sofre desde a década de setenta. Já o coliseu, além da batalha contra o tempo enfrentou recentemente uma batalha com a falta de verba para investimento. A solução encontrada pela prefeitura de Roma foi buscar investimento privado, a marca Tod’s investiu vinte e cinco milhões de euros na restauração da fachada e está previsto uma segunda parte para 2018 com a troca do piso. O projeto de restauração, privada, de monumentos históricos da cidade de Roma está sendo fomentado pela prefeitura sob o nome de “Cem propostas para patronos”. Atualmente a prefeitura de Roma possui uma dívida que gira ao redor de doze bilhões de euros o que torna inviável a preservação do seu patrimônio histórico e o projeto de patrocínio privado é uma tentativa de se manter seus monumentos. A Fontana de Trevi, por exemplo, foi “apadrinhada” pela marca Fendi e passou meses fechada em obra.

-Conclusão:

Apesar do Coliseu e do Partenon estarem separados da nossa realidade por séculos seu valor para a formação cultural desta e das próximas gerações continua sendo indiscutível. Sua importância vai além da compreensão da civilização romana e da grega e se torna uma questão atemporal. A preocupação com a conservação desses monumentos é algo constante uma vez que estes se encontram à revelia do tempo

Referências bibliográficas:

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/10/colina-da-acropole-em-atenas-esta-afundando-e-precisa-de-reparos.html

  • Carta de Veneza

file:///C:/Users/Caroline/Downloads/Carta%20de%20Veneza%201964.pdf

  • Breve História da Teoria da Conservação e Restauração- Eduarda Luso, Paulo B.Lourenço e Manuela Almeida

file:///C:/Users/Caroline/Downloads/Breve_historia_da_teoria_da_conservacao_e_do_resta.pdf

  • Site do Jornal O Globo

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/07/roma-apresenta-limpeza-do-coliseu-financiada-pela-iniciativa-privada.html

Coliseu

file:///C:/Users/Caroline/Downloads/ICOMOS-folheto.pdf

  • Fundamentação Teórica do Reastauro – Cesare Brandi

file:///C:/Users/Caroline/Downloads/fundamentacao-teorica-do-restauro%20(1).pdf

 

Alunas:

  • Caroline Mendes
  • – Maria Eduarda Mury
  • Milena Alencar

 

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